Governo federal define regras para eólicas offshore

 

O Ministério de Minas e Energia publicou o decreto que regulamenta a instalação de parques eólicos no litoral brasileiro nesta última terça-feira (25). A exploração das eólicas offshore, prática já bem estabelecida em diversos países europeus, levou alguns anos para ter suas regras determinadas no Brasil.

 

Esse decreto deve acelerar o andamento de projetos que somam quase 3.500 aerogeradores e 40 GW de capacidade. A adição destes parques eólicos, que no momento encontram-se em análise ambiental pelo Ibama, à matriz energética brasileira representaria cerca de 20% de toda a capacidade de geração já instalada no país.

 

O texto prevê “empreendimentos offshore” em águas interiores de domínio da União, no mar territorial, na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e na plataforma continental. Os 23 projetos de parques eólicos requeridos até o momento distribuem-se pelos estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande Norte e Rio Grande do Sul. Suas distâncias da costa brasileira variam de 1 km a 20 km.

 

Em um webinar da revista Saneamento Ambiental realizado em 2021, um dirigente da Associação Brasileira de Eólicas Marítimas (Abemar) estimou que o potencial offshore brasileiro pode chegar a 750 GW em águas de até 50 m de profundidade. Para a eólica onshore, as estimativas apontam que os ventos já respondam, em horários de pico, por 23% do mercado total de energia do Brasil.

 

Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), afirmou, em nota, que não tem dúvidas de que o Brasil ficará conhecido, em alguns anos, não apenas por ter um dos melhores ventos do mundo para a eólica onshore, mas também pelo sucesso da implementação da eólica offshore.

 

Ainda, a regulamentação da exploração dos ventos marítimos no país chega a tempo de uma possível crise de energia hidrelétrica. Um estudo da Universidade Federal do Paraná constatou que os reservatórios das principais hidrelétricas brasileiras estão recebendo cada vez menos água. Entre 2010 e 2020, a queda foi de mais de 10%.

 

Fonte: Isto é, ClimaInfo

 

 

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