Corredor Verde Marítimo na América do Sul

Escrito por Viggo Andersen

Autoridades chilenas anunciam o lançamento de parceria para o estabelecimento de corredores verdes marítimos no Chile.

 

 

Em 13 de abril deste ano, os Ministérios de Energia, Transporte e Telecomunicações e de Relações Exteriores do Chile, em conjunto com Maersk Mc-Kinney Moller Center for Zero Carbon Shipping, lançaram um projeto para o estabelecimento de corredores verdes marítimos no Chile. O Chile foi um dos primeiros países signatários da Declaração de Clydebank para dar suporte ao estabelecimento dos corredores verdes de navegação firmado para o setor na 26ª Conferência do clima da ONU, COP26, realizada entre os dias 31 de outubros e 12 novembro de 2021.

A criação de corredores verdes marítimos abre a oportunidade para acelerar o progresso em enfrentar o desafio na descarbonização das atividades de transporte marítimo. Atualmente, a atividade mundial de transporte marítimo é responsável por cerca de 3% das emissões globais de CO2. Caso a atividade de transporte marítimo global fosse considerada um país, isto significaria que este país estaria entre o sexto e oitavo maior país emissor de CO2.

Um corredor verde marítimo pode ser definido como uma rota de navegação entre dois portos ou terminais portuários principais, na qual a viabilidade para uma operação de zero emissão de CO2, do ponto de vista tecnológico, econômico e regulatório, pode ser alavancada através de ações do poder público e do setor privado. Para tal, tem que ter um mínimo de escala, tanto em termos de volume quanto de valor.

O estabelecimento de corredores verdes marítimos proporciona escala e volume suficiente de impacto para possibilitar a inclusão dos principais atores na cadeia de valor para alcançar emissões zero na atividade de navegação, incluindo produtores de combustível, operadores de navios, proprietários de cargas e autoridades regulatórias. Eles também proporcionam garantia de consumo para os produtores de combustível, contribuindo para um esforço adicional na perseguição de formas alternativas de combustível de zero emissões de CO2 em uma determinada localização.

Ao mesmo tempo, criam um forte sinal de demanda para operadores de navios, estaleiros e produtores de equipamento para a indústria naval para progredirem no mesmo sentido.

No caso nacional, destaca-se que o Brasil não foi signatário da Declaração de Clydebank para o setor na COP26, entretanto cinco rotas marítimas, ligadas principalmente aos transportes de minério de ferro e soja, apresentam potencial para definição de corredores verdes de acordo com Global Maritime Fórum.

 

Rotas com potencial para definição de corredores verdes – Brasil:

Tabela
Fonte: Global Maritime Forum

 

O Brasil tem potencial para o estabelecimento de mais corredores verdes na América do Sul, agora em águas da Amazônia Azul, entretanto cabe salientar que a criação de corredores verdes não irá surgir de forma orgânica. Faz-se necessária, portanto, a participação de todas as partes interessadas, tanto na esfera pública quanto do setor privado na contribuição da análise, avaliação e planejamento para sustentar este desenvolvimento.

 

Maersk-Mc-Kinney Moller Center for Zero Carbon Shipping, é um centro de pesquisa e desenvolvimento, sem fins lucrativos, estabelecido em Copenhague-Dinamarca em 2020. Tem como parceiros corporativos, Alfa Laval, American Bureau of Shipping, A.P.Moller-Maersk, BP, Cargill, Haldor Topsoe, MAN Energy Solutions, Mitsubishi Heavy Industries, Mitsui, NORDEN, NYK Line, Seaspan Corporation, Siemens Energy, Stolt Tankers, Sumitomo Corporation, Swire Group, Total Energies, DP World e V.Group.

 

 

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