Projetos de eólicas offshore no Brasil superam geração atual das eólicas onshore

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Publicado em 22/09/2021. Última atualização: 22/09/2021.

Atualmente, há 23 projetos de eólicas offshore em licenciamento ambiental no Brasil. De acordo com documentos oficiais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o potencial total estimado de todos esses geradores é de 46,6 GW, o que representa quase duas vezes e meia a capacidade instalada total das eólicas em terra (onshore), que atingiu 19 GW em junho deste ano.

 

Estes dados mostram a aptidão das eólicas offshore na diversificação de geração na matriz elétrica brasileira e na garantia da segurança energética, tendo em vista a alta dependência das hidrelétricas – que representam quase 65% da matriz elétrica, de acordo com o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2020, e passam atualmente por sérios problemas de abastecimento devido à escassez hídrica no centro-sul do país.

Em meio ao debate e aos planos de ação de governos e empresas para a transição energética, as eólicas offshore são opções tecnológicas para uma matriz elétrica menos carbonizada, mais diversificada e segura. Com isso, o mundo vê um aumento no investimento desse tipo de tecnologia, principalmente na Europa e China.

 

Segundo o Global Wind Report 2021, da Global Wind Energy Council (GWEC), em 2015 o mundo totalizava 433 GW de potência instalada de aerogeradores, sendo 12 GW de turbinas offshore (2,77%) e 421 GW onshore (97,23%). Já em 2020, o valor total subiu para 743 GW, sendo 35 GW offshore (4,71%) e 708 GW onshore (95,29%). Isso representa um crescimento médio anual de 11% das eólicas entre 2015 e 2020.

 

No que diz respeito ao potencial mundial total instalado de eólicas offshore, as usinas estão majoritariamente no continente europeu. Em 2020, apenas a Europa representava 64% dos 35 GW de potência instalada acumulada. Desta quantia, o Reino Unido configurava 29% e a Alemanha 22%. Um país que chama a atenção é a China, com 28% de representação no potencial de geração de energia elétrica por aerogeradores nos oceanos.

 

Imagem de Andrew Martin por Pixabay

 

 

Especialistas vislumbram que a nova fonte geradora terá um aumento de 11,2 GW na participação da matriz mundial em 2021. A expectativa é de que haja um crescimento médio anual até 2025 de 4% ao ano. Com isso, é previsto uma incorporação de 23,9 GW de capacidade instalada daqui a quatro anos.

 

Apesar de ainda não haver nenhuma fazenda eólica em alto mar no Brasil, o território nacional é muito favorável a esta tecnologia de geração elétrica. Por se tratar de um ambiente marítimo e longe das cidades, a utilização de torres de grandes proporções resulta em uma maior potência nominal de geração. Além disso, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Energética (EPE), o potencial técnico do Brasil é de aproximadamente 700 GW em locais com profundidade de até 50 metros.

 

Dentre os principais desafios para o desenvolvimento da geração no Brasil, as incertezas normativo-regulatórias são um tópico de destaque em discussão. De acordo com o Roadmap Eólica Offshore Brasil 2020 da EPE, a ação necessária para mitigar esse problema é “aperfeiçoar a legislação de modo a atender às especificidades da geração de energia elétrica por meio de fonte eólica offshore. Caberá à legislação fixar diretrizes claras de modo a proporcionar o desenvolvimento estável da regulação, assegurando aos interessados a oportunidade de exercer atividade em ambiente de ampla concorrência e de livre iniciativa”.

 

A regulação da produção de energia eólica em alto mar sairá até o final do ano, de acordo com o ministro de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque. Espera-se, portanto, que 2021 seja um ano paradigmático para o setor de energia oceânica do Brasil.

 

Para visualizar os projetos de eólica offshore com processos de licenciamento ambiental abertos no IBAMA (atualização de 19 de agosto de 2021), clique aqui.

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