Pesquisa conduzida pelo MIT Technology Review classifica 66 países em ranking de tecnologia azul

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Publicado em 06/12/2021. Última atualização: 06/12/2021.

 

O “Blue Technology Barometer” (Barômetro da Tecnologia Azul), desenvolvido pelo MIT Technology Review, pontua as economias de 66 países e territórios com litorais grandes ou economicamente significativos a fim de rankea-los a partir do nível de comprometimento com a promoção de um futuro oceânico sustentável através de novas tecnologias.

 

Tecnologia azul (ou blue tech) é a alta tecnologia da indústria marítima. Esta tem papel fundamental na restauração da saúde dos ecossistemas marinhos e na diminuição dos efeitos das mudanças climáticas. Suas aplicações estendem-se desde o uso dos mares como “plataforma” para a geração de energias renováveis até a criação e administração de dados e previsões sobre as atividades comerciais marítimas através de inteligência artificial.

 

A pesquisa foi realizada a partir da análise de dados seletos e de entrevistas com autoridades em tecnologia azul e sustentabilidade (tais como legisladores, inovadores e organizações internacionais de sustentabilidade). Quatro pilares foram considerados para pontuar cada país: Ambiente Ocêanico, Atividade Marinha, Inovação Tecnológica e Políticas e Regulamentação.

 

O primeiro considera a preservação ambiental a partir do mar, classificando as posições pelos montantes de contaminação das águas salgadas, de plástico reciclado e de emissões de carbono expelidas por atividades marinhas. O segundo, por sua vez, rankeia a sustentabilidade das indústrias marítimas, tais como o setor de navegação e de pesca.

 

O pilar da Inovação Tecnológica quantifica e qualifica as pesquisas e investimentos voltados para tecnologia azul. E, por fim, Políticas e Regulamentação considera as leis e políticas oceânicas nacionais de cada país.

 

A partir de análise de tendências, pesquisa e um processo de revisão de pares com autoridades dos assuntos entrevistados, pôde-se determinar a importância e influência de cada pilar no desempenho dos países nos avanços da tecnologia azul.

 

 

LÍDERES, DESAFIADORES E AMBICIOSOS

 

Em suma, os seguintes resultados foram apresentados:

 

• Líderes da tecnologia azul (top 10): são países de economia avançada e, com exceção da Coréia do Sul, ocidentais. O Reino Unido lidera o ranking com 7.83 pontos, em grande parte devido ao seu protagonismo nas instalações de geradores de energia renovável offshore, retendo a maior fazenda de eólica offshore do mundo. A Alemanha situa-se logo abaixo, marcando o segundo lugar com 7.54 pontos graças ao seu governo com forte papel de advocacia e investimento na proteção costeira marinha tanto de seu próprio território quanto de estrangeiros. Os Estados Unidos (7.23 pontos) aparecem em quarto, propulsionados pela impecabilidade de seu setor de inovação de tecnologia azul. Por fim, com governos voltados para soluções colaborativas e um ecossistema de inovação tecnológica altamente interligado com suas economias marítimas, há quatro países nórdicos: Dinamarca em terceiro (7.37), Finlândia em quinto (6.93), Noruega em sexto (6.92) e Suíça em oitavo (6.71).

 

Top 10

Fonte: MIT Techonology Review

 

 

• Desafiadores da tecnologia azul (os 20 países após o top 10): apresentam pontuações medianas, com um declive suave do Japão, em 11º lugar (6.37), até a Índia, em 30º (4.67). Os resultados gerais apontam certo avanço dessas economias nas questões de sustentabilidade e tecnologia. No entanto, as notáveis divergências de pontuação entre os pilares de um mesmo país demonstram que, na maioria dos casos, há um desalinhamento entre as ações de suas indústrias marítimas, governos e comunidades de conservação. Grande parte dos países entre os 60% piores colocados no barômetro (chamados de “ambiciosos da tecnologia azul”) sofrem com a difícil missão de balancear a preservação do oceano com a fomentação de indústrias marítimas de forma economicamente viável. Em geral, faltam investimentos e recursos científicos para compensar.

 

Desafiadores da tecnologia azul

Fonte: MIT Techonology Review

 

 

O Brasil encontra-se entre os “desafiadores da tecnologia azul” em 19º, com 5.5 pontos no ranking geral. A pesquisa classifica o país como um território com uma boa performance na sustentabilidade marinha e em medidas de conservação do oceano. Entretanto, alerta para uma mudança recente nesse cenário devido ao governo Bolsonaro, que promoveu a remoção do status de “zona de proteção permanente” dos manguezais e do cerrado, vigente há duas décadas.

 

Nos rankings de cada pilar, o Brasil tem sua melhor performance em Atividade Marinha (8º). Políticas e Regulamentação, Inovação Tecnológica e Ambiente Oceânico constitui a ordem dos três rankings restantes, nos quais o país ocupa o 16º, 26º e 43º lugar respectivamente.

 

Brasil

Fonte: MIT Techonology Review

 

 

 

O OCEANO COMO PARTE DO TODO

 

Aprofundando-se na análise, o estudo afirma que os líderes da tecnologia azul (top 10) estão “comprometidos com uma abordagem holística à sustentabilidade do oceano” e que este comprometimento estende-se, também, a terras estrangeiras. O controle das emissões de carbono das indústrias dessas potências econômicas encontra-se no investimento em energia renovável offshore e em combustível verde.

 

Ademais, a pesquisa realça a necessidade de um “pensamento sistêmico” no tangente à ações climáticas efetivas. “A comunidade ambiental é atravancada por faccionalismo e compartimentação,” argumenta Ack, da Ocean Vision. “Uma coisa do oceano na qual todos deveríamos estar focados é a reversão da crise climática – você não pode ter um mar saudável com esses níveis de dióxido de carbono. A comunidade ambiental separa seus times climáticos dos times do oceano, que geralmente trabalham com pescarias, plásticos e áreas marinhas protegidas. Mas o oceano e o clima são inexoravelmente interligados e precisam ser tratados juntos.”

 

Reconhecer o impacto das ações climáticas marítimas no planeta e integrá-las com ações terrestres e atmosféricas configura a chave do “pensamento sistêmico”. Para tal, a cooperação internacional entre governos, indústrias e cadeias de valores é indispensável, sobretudo na criação e compartilhamento de dados. Dessa forma, empresas poderão prever e mensurar seus impactos ambientais com maior precisão.

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