O‌ ‌processo‌ ‌de‌ ‌descarbonização‌ ‌do‌ ‌setor‌ ‌de‌ ‌navegação‌

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Publicado em 30/09/2021. Última atualização: 20/10/2021.

Imagem de minka2507 por Pixabay

 

 

As 60 mil embarcações comerciais que desbravam os oceanos ao redor do mundo são responsáveis por cerca de 2-3% das emissões globais de CO2. Devido à pressão de ativistas e da própria indústria pela redução total desse montante, a descarbonização dos navios é, atualmente, o assunto de maior urgência no setor.

 

A pauta foi levantada durante o 8th World Ocean Summit do The Economist Group, uma conferência que enfoca debates sobre atividades econômicas marítimas entre especialistas e agentes políticos. A discussão sobre a problemática abordou as dificuldades e oportunidades tecnológicas, financeiras e políticas da indústria na transição de combustíveis fósseis para os alternativos.

 

A meta da Organização Marítima Internacional (IMO), braço da ONU que regula o setor de navegação, determina que a taxa de emissão de carbono das embarcações comerciais deve ser cortada pela metade até 2050, em comparação com as emissões de 2008. Trata-se de um prazo apertado considerando-se que os combustíveis alternativos capazes de comportar toda a frota global existente ainda estão em desenvolvimento.

 

Segundo Magda Kopczynska, diretora de transporte marítimo da European Commission, a indústria de combustíveis como amônia, hidrogênio, metanol e nuclear (todos já sendo desenvolvidos) deve estar tecnológica e estruturalmente pronta para uma grande expansão de mercado até 2030 para que o setor de navegação consiga atingir a meta estabelecida pela IMO.

 

Enquanto esse impasse é resolvido, algumas empresas têm se munido de alternativas temporárias. O uso de gás natural liquefeito (GNL) e a redução do consumo de combustível através da diminuição da velocidade média das viagens dos navios são as saídas mais comuns. Entretanto, a efetividade desses métodos não é total. A queima de GNL libera menos CO2, mas, em contrapartida, também emite o gás metano, potente estimulador do efeito estufa. Além disso, a redução da velocidade da frota não é uma realidade possível para todas as empresas e pode forçar algumas delas a alçar mais navios.

 

No quesito financeiro, muito também tem sido feito. Há propostas de fundo conjunto de P&D, a fim de gerar capital para acelerar o desenvolvimento de tecnologias. Em tese, o recolhimento irá funcionar através da taxação de dois dólares sobre cada tonelada de combustível fóssil consumido. Estima-se que esse fundo tenha um núcleo de cerca de cinco bilhões de dólares em dez anos. A distribuição dos custos e riscos entre a indústria é uma outra alternativa já em prática. Com a consciência de que não há mais futuro para empresas que não se adequem a um modelo sustentável de negócio, pode-se notar um esforço mútuo no setor para que a problemática seja resolvida o quanto antes.

 

Esse esforço faz-se presente especialmente na questão governamental. As empresas têm pressionado o IMO por regulações de cunho internacional (haja vista que regulações regionais não são efetivas em um setor de base global como o de navegação), bem como por medidas que tornem o mercado mais justo para empresas que já deram o primeiro passo e adotaram os combustíveis alternativos disponíveis, mais caros que os fósseis.

 

Mesmo com todas as questões apresentadas aqui, é certo que a descarbonização da indústria irá acontecer em algum momento. Além da expectativa pelo estabelecimento de metas mais rigorosas no debate climático COP 26 (que está prevista para ocorrer em novembro), algumas empresas também planejam se descarbonizar inteiramente já em 2050.

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