Líder mundial em turbinas eólicas mira potencial eólico offshore do Brasil

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Publicado em 15/12/2021. Última atualização: 15/12/2021.

 

Vestas, empresa dinamarquesa líder mundial em turbinas eólicas, pretende se tornar um forte player no mercado brasileiro de energia eólica offshore. Fundada em 1945, a companhia tem mais de 145 GW em turbinas instaladas em 85 países.

 

Atualmente, a Vestas possui uma unidade industrial no Ceará, onde fabrica aerogeradores de até 4,2 megawatts (MW) de potência para usinas terrestres. Os equipamentos para offshore, entretanto, têm uma escala maior, podendo atingir até 15 MW com um rotor que supera 200 metros de diâmetro. Por essa razão, para fabricá-los, os investimentos em novas linhas produtivas são indispensáveis.

 

O momento é de grande antecipação pelo lançamento de um decreto para as eólicas offshore, que foi prometido para o fim deste ano/início de 2022. O Ministério de Minas e Energia (MME) já anunciou que vai incluir a nova fonte de energia no Plano Decenal de Energia (PDE) – 2031. Segundo o mapeamento do governo, o potencial offshore do Brasil é de 700 GW – um montante quatro vezes maior do que o país já tem em capacidade instalada de todas as fontes.

 

Henrik Andersen, CEO global da Vestas, destacou, em entrevista ao portal Valor, que o hidrogênio verde e a eólica offshore são tecnologias fundamentais para o processo de transição energética internacional e afirmou que encontrarão terreno fértil no Brasil. As diversas empresas com projetos de usinas de energia eólica no mar já em fase de licenciamento no país, mesmo antes do estabelecimento de bases regulatórias, parecem confirmar essa previsão.

 

Andersen também concluiu que o Brasil apresenta um programa “realista” para eólica offshore e de expansão de energias renováveis em geral, uma vez que as equilibra com combustíveis de transição, como o gás. Para ele, planos “pé no chão” oferecem mais segurança para o setor privado do que iniciativas radicais, que visam o aposento total de fontes como petróleo ou carvão. “Hoje nós precisamos de todas as fontes, o mundo está consumindo mais energia do que as renováveis podem proporcionar. Estamos numa transição dos fósseis tradicionais para as renováveis, e não acho que vamos ter encerrado essa transição em 30 anos”.

Outra dica dada pelo executivo para conquistar o apoio do setor privado na transição energética diz respeito à quantidade de geradores de energia eólica offshore a serem construídos num determinado período. “Se os países falam que vão construir ‘algumas’ eólicas offshore por ano, nós pensamos: ‘plano errado’. Ou se constrói gigawatts por ano, ou não conseguirá o compromisso privado e o investimento. Basicamente, precisaria instalar por volta de 74 turbinas por ano, ou 1 GW, para a produção local fazer sentido.”

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