Indústria brasileira de petróleo e gás contará com inventário de emissões em 2022

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Publicado em 16/11/2021. Última atualização: 16/11/2021.

 

O inventário de emissões da indústria brasileira de petróleo e gás (P&G) marca uma mudança inédita no setor, impulsionada pela necessidade de uma base de dados concretos para o estabelecimento de medidas e metas pertinentes ao processo gradual de descarbonização.

 

Dados do Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, um levantamento com números agregados, indicam que a indústria de energia é responsável por 29% das emissões do Brasil. Com o inventário setorizado, coletando as informações diretamente das empresas de P&G, é possível não apenas determinar metas consolidadas, mas também alimentar organizações que já trabalham com inventário de emissões.

 

Segundo o gerente de sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Carlos Victal, o instituto deseja fazer, até o final do ano, uma “primeira depuração” das emissões do setor, embasada em dados públicos, para prosseguir com a coleta empresarial em 2022.

 

A implementação desse sistema na indústria de P&G assinala mais um passo dado rumo a transformações industriais profundas em 2021 – um ano cuja marca notória tem sido a agitação global frente ao avanço das mudanças climáticas, com reuniões governamentais (como a COP26) e protestos por medidas e metas mais drásticas.

 

Cristina Pinho, diretora-executiva corporativa do IBP, afirma que as petroleiras estão cientes da pressão pela descarbonização e que financiarão, também, o desenvolvimento de tecnologias para a transição energética, além das medidas de prevenção de agravamento do aquecimento global. É esperado que o setor invista cerca de R$ 3 bilhões anuais, nos próximos anos, em pesquisa e inovação, seguindo a cláusula de PD&I dos contratos de concessão, que obriga os produtores de P&G a contribuírem com 1% da receita bruta em campos mais rentáveis.

 

Após o investimento massivo em laboratórios nacionais, o foco das petroleiras encontra-se cada vez mais direcionado às startups que atuam com a descarbonização do setor. Melhorar o desempenho das emissões da indústria de P&G, segundo Pinho, é um dos grandes pilares do posicionamento das petrolíferas contra as mudanças climáticas.

 

Quanto à transição energética, a diretora afirmou, em entrevista ao portal Valor, que reconhece que não se trata apenas de uma preocupação ambiental. “Não estamos fazendo nenhuma bondade. É um bom negócio também. A transição energética é uma oportunidade de novos modelos de negócios, novos produtos”, disse.

 

 

Fonte: Valor

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